quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

"Com voz e olhos e coração de Inverno"


"Mas enquanto dura a chuva, o vento, as tardes escuras e as manhãs geladas — é tudo muito diferente.
Maria não gosta desse tempo.
Porque então as pessoas ficam com uma voz áspera, suportam mal o cheiro da humidade entranhado nas camisolas e nos casacos
  
    espirram
têm tosse
    gritam
respondem torto

têm saudades dos amigos que desapareceram protestam por  tudo  e por  nada .
Até a mãe de Maria fica, nesse tempo, igualzinha às outras pessoas — e às vezes diz palavras que magoam.
E não se pode culpar ninguém: é a chuva, o vento, as tardes escurase as manhãs geladas que as fazem ficar assim.
Com voz e olhos e coração de Inverno. (...)"


este estava para lá, escondido numa prateleira também ela cheia de escuro e de nuvens, mas a capa azul da cor de um céu de verão chamou-me a atenção. abri-o de página em página e as magnificas ilustrações  enchiam as páginas. mais à frente o texto com um grafismo diferente. o texto escrito pela Alice Vieira parecia a história de todas as famílias. a falta de tempo. a falta de paciência. a da mãe, a do pai, menos a da avó, porque a avó nunca tinha voz de inverno.

não tive tempo de o ler todo. no fim do livro vinha um CD. pelo caminho enquanto conduzia ouvi com toda a atenção as palavras e as pausas ditas por Luís Miguel Cintra. a música de Eurico Carrapatoso.
durante esta viagem no meu carro nunca foi inverno.

 da Caminho.

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